Casamento: Sofia e Tiago na Basílica de Meca em Alenquer

Aos que me seguem e que gostam das histórias que conto, aos que me visitam para se inspirararem e prepararem o seu dia, e aos que simplesmente me visitam para se inspirarem no trabalho que faço, a todos saúdo. Entre os milhares de imagens que todos os dias revejo e processo, o tempo que dispenso às redes sociais onde faço a divulgação do meu trabalho (Flickr, Facebook, e mais recentemente Google+), à preocupação de acomodar os vossos pedidos especiais e, agora, à produção dos vossos álbuns de casamento a tempo de estarem de volta para a noite de Natal…uff, não tenho mãos a medir.

Hoje trago-vos as imagens do trabalho que fiz para a Sofia e o Tiago. A cerimónia religiosa realizou-se na Basilica de Meca (Olá, Padre Pedro!) e a festa esperava-nos, a todos, na Quinta das Rosas em Alenquer. O dia amanheceu fresquinho e o céu, esse, pintou-se de azul. Ás 9 horas da manhã, do dia 16 de Julho de 2011, na residência dos pais do Tiago fomos recebidas….pelos homens da casa.
O Tiago estava quase pronto. A preparação d’eles é muito mais rápida e simples do que a nossa e em 30 minutos ficam os registos concluídos. Os pontos altos são normalmente o nó da gravata e o lenço de bolso. Sempre pela mesma razão: os noivos não o sabem fazer ou não o sabem dobrar, o que não deixa de ter muita piada pelas soluções que normalmente arranjam para tratar do problema.:)  Ora esse não foi o caso do Tiago.
Ainda assim, os momentos da preparação, são uma parte importante da história que se conta deste dia tão especial. A tensão gerada pelos intervenientes nas várias cenas, cria oportunidades fotográficas imperdíveis onde os pais, os avós ou os melhores amigos se tornam protagonistas de momentos de genuína emoção onde os afectos acabam sempre por falar mais forte. O que mais poderá querer um fotógrafo?

Elegantérrimo o noivo, não?!

Planear o dia de casamento com os meus clientes permite-me assegurar o espaço de tempo necessário para que todos os momentos decorram com a tranquilidade necessária para eles e para mim. Costumo dizer que quando há tempo é possível ser-se criativo, quando tudo se passa a correr e com stress faz-se o que é possivel. E o que é possivel significa que se o fotógrafo for muito bom, ainda assim, fará muito bem o seu trabalho mas, inevitavelmente, não terá tempo para fazer tudo. Se o fotógrafo for mau então fujam ou escondam a reportagem num baú no sotão. Não sou fã de fast weddings da mesma maneira que não gosto de fast food. Gosto de todos os momentos saboreados com tempo, da companhia de uma flute de champagne e da comunhão e partilha destes momentos com todos os que vos são queridos. Gosto. Gosto mesmo muito.

Na casa da Sofia e do Tiago, preparava-se a Sofia para o grande momento acompanhada pelos pais que nunca lhe saíram de perto. A história dos objectos pessoais, as mensagens e as cartas de amor trocadas entre ambos são detalhes que vêm enriquecer a história de um dia que sempre será inesquecível.

Oh…e as emoções! já cá faltava o tema?! Tantas vezes se ouve dizer às noivas, ou às mães, que não podem chorar…. Como fotógrafa nada me deixa mais feliz do que um casamento onde as emoções e os afectos têm espaço para fluir sem restrições, nem tabús. É efectivamente um dia lindo, um dia que planeámos com tanto amor e, assim sendo, é expectável que a emoção deixe algumas de nós afogadas em lágrimas. É expectável, é absolutamente normal e faz muito bem! Bom, e aliás é para isso que existe maquilhagem à prova de água, não é?
E embora não estivesse maquilhada ainda, a Sofia partilha da mesma opinião estou certa.
Duas horas e meia depois de muito BabyLiss, base, gloss, fixadores e do resto da parafernália, chegou o momento de vestir o “tal vestido” criado pela dupla Joana Montez e Patricia de Melo e dos últimos preparativos para a viagem até Alenquer. O irmão da Sofia foi chamado para ajudar a apertar os botões do vestido, a mãe estava com alguma dificuldade em fazê-lo. Quando não existe um irmão hábil para ajudar nesta altura, podemos sempre recorrer à agulha de crochet da avó ou aos ganchos de cabelo de quem nos penteou. E já agora guardem esse utilíssimo instrumento no vosso necessaire para oferecer ao noivo mais tarde. Ele vai com toda a certeza precisar também de ajuda, os botões são sempre muitos, a hora de os desabotoar e o cansaço não facilitam a tarefa. 

Depois de todo o ritual e das muitas fotografias que sempre tiro durante a preparação(ou não fosse um dos meus momentos preferidos do dia) veio a surpresa do dia. A cerejinha no topo do bolo. Cortesia do noivo, claro. Qual será a mulher que não gosta de ser conduzida nesta dia tão importante num elegantérrimo Rolls? Sim, um Rolls Royce? Eu diria mais, casar só mesmo de RR e com uma fantástica jóia no dedo. *sigh* Pois….sigamos viagem que o tempo não se compadece com questões existenciais.

Chegámos à Basilica de Meca com bastante tempo de antecedência. Começo a sentir-me em casa aqui. É o meu quarto casamento na companhia do Padre Pedro. Madeirense, bem disposto, eu e o Padre Pedro temos uma relação “simpática”. Ele é muito cioso do seu espaço e, honra lhe seja feita, tem feito um excelente trabalho de restauro e conservação da basílica. Eu, sou muito ciosa do meu trabalho. Gosto de me movimentar por sítios pouco recomendados e sempre que entendo ser oportuno. Uma postura nem sempre adequada num espaço onde o recato e a discrição devem primar.  Percebo que isto mexe um bocadinho com ele. Depois diz que fotografo muito, que pareço uma metralhadora, enfim…Pouco a pouco, à medida que o tempo passa, a nossa relação vai estabilizando e com muito respeito pelo papeis que cada um de nós tem, casar em Alenquer é na Basílica de Meca. Até Maio, Padre Pedro.
A Sofia ficou l-i-n-d-a nestas imagens e eu não resisto a mostrar mais do que uma.  São tantos registos, e todos tão giros, que não vai ser tarefa fácil escolhê-los para o DVD! Felizmente as noites de inverno são compridas e é um prazer reviver estes momentos, até para mim que  “só” tive a missão de os registar.

De sorriso no rosto e em passadas largas rapidamente chegou ao altar.
A Sofia, caminhou calmamente, pelo braço de seu pai.

À luz das velas…com um flare e um bokeh lindos! Depois do assento de casamento concluído, ficou o beijo que selou oficialmente a união!
E porque é mesmo impossível mostrar todas as imagens deste casamento aqui, despeço-me com duas das últimas imagens que fiz, mesmo no fim da cerimónia. Nos próximos dias publicarei a parte da reportagem de convidados, a sessão dos dois, e a festa. Também aqui as imagens estão muuuuito giras. Até breve.

  • Nuno Ferreira said:

    Querida amiga, é sempre um prazer ver as tuas fantásticas imagens, repletas de emoções e maravilhosamente captadas. Fico à espera da segunda parte. Beijinhos. :-)

  • Que imagens maravilhosas Matilde!
    E sempre com muito gosto que cá venho e viajo pela leitura e fotografias tão lindas.
    Parabéns, cá espero as próximas...

  • Fernando Colaço said:

    Muito bonito. mestra na composição e na fluidez da acção. parabéns, muito bem feito.

  • Obrigada, a todos! É sempre com muito prazer que os vejo por cá!